A dispersão talvez seja meu maior problema, eu pasmo, desligo, vôo longe. Pra mim é um desafio não esquecer nada, para lembrar de uma coisa é quase que automático esquecer outra. Se isso me atrapalha? Eu diria que somente uns 98% da minha vida. Mesmo quando não fui eu que esqueci, todos olham pra mim como se fosse, eu pago pela minha reputação, e sou muito cobrada por isso. Eu penso demais, minha cabeça fervilha, penso em mil coisas ao mesmo tempo, por isso é tão fácil sumir coisas corriqueiras da minha lembrança. Não sei muito bem ainda como lidar com isso, apesar de tentar melhorar sempre (nem sempre consigo). O pior é agüentar os olhares de decepção, no maior estilo “tinha que ser ela novamente”, ou o clássico “não dá pra confiar, ela esquece”, e olha que eu já fui bem pior, e conheço gente pior do que eu, não sei o que acontece que as atenções se voltam pra mim como “você é o pior ser vivo da terra” toda vez que esqueço meu celular... Gente, é só um celular... e é meu, poxa!
Meu marido é o mais afetado, ele é como um cliente insatisfeito que comprou um aparelho quebrado e não consegue a troca:
- Moça, você não entendeu. Essa esposa veio sem memória.
- Na etiqueta estava escrito que não tinha devolução senhor. E já passou muito tempo, modelo antigo falha mesmo...
- Mas não tem nenhuma peça de reposição, nenhum kit para melhorar o desempenho?
- Sinto muito, senhor, esse modelo deu muito problema, nem fabrica mais, só jogando fora e comprando uma nova.
-????
O jeito é voltar pra casa e tentar usar desse jeito mesmo!
De tanto insistir ele começou a se “poluir” com meu jeito “eu mesma” de ser. Começou a esquecer as coisas... (ain) Mas claro que a culpa continua sendo sempre minha... (Amor... bjuuuuu)
