quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Aparentemente



Sou 90% defeito. Minhas qualidades são daqueles que me conhecem pouco, que pouco convivem comigo. Sou ótima companhia para um bar ou uma festa, sou amiga pra encontros casuais e viagens, sou legal pra ver de vez em quando. 
Mas como já disse, sou 90% defeito. 
Se quer acordar comigo, saiba que não acordo muito bem humorada. 
Reclamo do calor, reclamo da falta de tempo. 
Sinto preguiça a tarde e acelero de noite. 
Não gosto que baguncem o que eu arrumei. 
Não gosto de arrumar bagunça de ninguém. 
E sou bagunceira. 
Minha calmaria é das minhas horas de lazer.
 No dia a dia me irrito com situações bestas. 
Grito e mando. Me visto de louca, rodo a baiana e depois esfrio. 
Passo muito tempo preocupada, tenho casa, tenho contas, faço contas e não vejo lucros. 
O stress aflora.
E se não tenho motivos pra sorrir fico com cara de paisagem mesmo. 
Não, eu não sou essa garota encantadora que você acabou de conhecer. 
Eu não sou essa pessoa de sorriso largo e gênio fácil que está se apresentando pra você. 
É que aqui nesse ambiente em que estamos eu entrei nua. 
Deixei lá fora uma vida cheia de preocupações e histerias, e o restante das minhas chatices ficaram nos goles de bebida que já tomei. 
Não se engane comigo. Sou tão cruel quanto a sua ex, tão irritante quanto a sua mãe e tão boba quanto a sua irmã mais nova. 
Não pense que eu não estou de cara feia porque não a faço ou não a tenho. 
Apenas não estou fazendo planos. Apenas estou livre de amarras. Aparentemente.
É que deixei meus 90% na porta me esperando, porque quando eu for embora, terei de vesti-los outra vez.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Somos perecíveis.


Tudo é mutável. É a maior conclusão que cheguei até hoje. O tempo, o vento, a aparência, a paisagem, a vida, o sentimento... tudo muda o tempo todo. 
Você pode achar que não, mas seus sentidos te traem, porque a maioria das coisas muda sem que você perceba, sem que você acompanhe. 
Basta um leve passar de tempo e seu cabelo está mais comprido, você tem que cortar as unhas novamente, seu filho está indo pra faculdade e seu médico está te pedindo exame de próstata. 
Sim meu amigo, o tempo está passando e você quase não se dá conta! Mas de forma progressiva ele age a sua volta e transforma tudo o que você vê. E aqueles anos que passavam vagarosamente até você fazer 18 anos, agora correm e você quase não acompanha, fica tonto só de saber que já é Natal outra vez. E olha que você acabou de comemorar a última prestação daqueles presentes que você deu no ano passado.
É tudo muito rápido. E tão rápido que me pergunto: - Vale a pena perder tempo? – Vale a pena deixar algo passar? – Vale a pena recusar aquele convite? – Vale a pena deixar esfriar aquela conversa? – Vale a pena esquecer ou é melhor por pra fora tudo que está rasgando o seu peito?
Não que devamos ser afobados. Não gosto de gente afobada, mas me irrita muito mais a pessoa parada, que simplesmente deixa a vida passar. Porque passar ela vai sim, de qualquer maneira, mas do que valerá se você nada fizer da vida enquanto ela passa por você?
Há tanta VIDA correndo nas veias do mundo. De bactérias à elefantes, tudo respira, tudo inspira, tudo faz parte de um ciclo perfeito. O tempo todo há células se recriando, multiplicando, morrendo e nascendo. É como mágica, num ciclo eterno. Chega a ser poético, trágico e belo, saber que enquanto uns vêm, outros se vão. E não há nada a se fazer quanto a isso.
Por isso que tal nos ocuparmos com o agora? Claro que você pode e deve pensar no seu futuro, mas sem deixar de viver o agora. Poxa, você já cansou de ouvir isso né?! Então por que raios você continua perdendo tanto tempo com raiva, com intriga, com mágoa, se apegando à coisas pequenas e materiais? Passa o dia pensando que não deveria ter feito isso ou aquilo, no que deveria ter falado. Gasta tanto tempo imaginando sua vida se ganhasse na loteria. Sonha o tempo todo com a porra do príncipe (ou da princesa) encantado(a) e com os momentos maravilhosos que você viverá ao lado dele(a).
Chega! Para tudo agora! Põe sua melhor roupa, passa aquele perfuminho, se enche de boas coisas e vai conhecer "gente de verdade". Uma hora dessas você até encontra um sapo jeitoso que te dê um amasso gostoso e lhe proporcione momentos bem agradáveis. Por que não?! Mas se continuar com a bunda sentada no sofá de casa não vai chover na sua horta nunca meu amor! 
Você deixa de viver coisas boas porque idealiza demais. Ninguém vai preencher tantos requisitos. Ninguém vai conseguir ser tudo isso. O pior é que talvez você já tenha deixado de viver muita coisa bacana porque não sabe enxergar as oportunidades que a vida te dá.

A felicidade é uma escolha. Arrisque mais, se liberte de toda a negatividade e aproveite seu tempo. Ele está acabando!  

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Da necessidade de ser livre


Minha alma se polui tanto com o que eu “devo ser”, que por vezes eu chego a esquecer quem “eu sou”, e isso é uma forma de matar um pedaço de mim.
Por vezes me pergunto: Por que eu faço isso comigo?
Eu sei que eu não sou a única.
Enclausurados nas nossas rotinas diárias, no nosso trabalho, nas nossas obrigações... É tanta coisa que depende da gente pra acontecer, que esquecemos de nos dar momentos de liberdade.
Falo de liberdade para a alma, aquela liberdade de espírito que a gente só sente quando consegue se conectar com alguma coisa ou lugar que a gente gosta muito.
A liberdade de não se enquadrar em estereótipos, de se sentir confortável da forma mais natural possível, de não precisar provar nada pra ninguém.
A liberdade de agir conforme seus instintos, sem medo de errar ou de não agradar.
Liberdade de ser você mesmo, de sentir sua essência, sem amarras e sem constrangimentos. Sem truques e sem julgamentos.
Livre somente. Pra voar mesmo que sem asas, e deixar a mente divagar em pensamentos soltos. Na paz dos justos que não tem do que se arrepender.
E essa liberdade ninguém pode nos dar ou nos tirar. Ela vem de dentro.
E se você não quer enlouquecer antes que as cortinas se fechem eu só tenho um conselho a te dar: Se permita à liberdade. Porque só você pode fazer isso.
Mergulhe de cabeça, vá até o final, não deixe de viver suas experiências, não mate seus sonhos e seus desejos. Perca o controle, extravase sua raiva e seu amor, não guarde nada. A felicidade é algo renovável, quando ela parece sumir do seu caminho é porque ela vai mudar o rumo da sua história.
Eu sei que é preciso muita coragem para libertar-se, mas veja bem, sua zona de conforto não vai te dar o que você precisa. Não é justo nem certo passar a vida inteira preso dentro de si mesmo, se machucando e se remendando por dentro, deixando tudo passar por medo ou comodismo. Ouça a sua alma e veja o que te faz feliz!
Ai, eu e minha mania de escrever para os outros o que eu preciso ouvir!

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Platônico

Um sorriso tímido,
a conversa despretensiosa,
o relar que é quase um toque,
mas que não se concretiza.  
Tão perto e tão longe,
é a sensação vazia que fica em cada tentativa de aproximação,
em cada respiração profunda e no tremer das mãos.
Assim por não saber o que dizer,
até onde ir,
na dúvida do que fazer.
Fugir do tudo ou nada,
só pelo prazer de se iludir.
Perto do toque e longe do sentir.
Chegando a imaginar que o melhor é nem tentar,
só pra continuar ali.
Se contentando com o muito que aquele pouco te dá,
querendo o mundo,
mas feliz só em olhar.
E é tanto querer guardado na angústia,
Tanto medo guardado nas palavras,
Tanto sentimento guardado na aparência sóbria
que o fechar dos olhos vira a porta da alma
La dentro da cabeça tudo acontece
As mãos dadas
O beijo apaixonado
O abraço caloroso
O amor
E só de olhar pra dentro o sentimento contamina
O coração acelera
E o mundo desconecta
O tempo para
O mundo deixa de girar
E só de ver, as pernas tremem
A terra balança
E o sorriso cresce largo mesmo sem querer
Cresce o nó na garganta
Que impede de dizer qualquer coisa
E vem a troca de olhares
Mas o tempo é muito curto
E ai passam as horas
Os dias
A oportunidade
E o tempo acaba
O nó é engolido
O batimento desacelera
E fica a tristeza de não saber o que será
A alegria fica só na fantasia

Então o jeito é voltar a sonhar.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Crônica da paixão e do amor verdadeiro!

Primeiro eu conheci a paixão!
Isso foi ha muito tempo. No tempo em que nossas idades não nos deixavam entender. No tempo em que a falta de maturidade me fazia sofrer, por cada delírio que a paixão me causava. 
Não era lindo como todo romance, era compulsivo e forte. Eu o queria tanto, que nem sabia ao certo o porquê. 
Não era o jeito como me tratava ou nada do que ele fazia. Era mais pelo que ele provocava em mim. Era uma coisa do toque, da carne, do cheiro. 
A tudo chamava de amor, o ciúme, a marcação cerrada, o sofrimento. E era sim meu jeito de amar, em cada pedacinho de exagero, em cada vontade exacerbada, em cada entrega impensada. Era como gula ou frenesi, uma extensão de mim que não me cabia, que não me vestia, que me fazia sentir frio e me jogava ao chão. 
Não era alegria ou compensação, era tormento que me virava a cabeça, me tirando do eixo, deixava-me pelo avesso. 
Não era outro, era eu, e sem eu, não me sentia completa, eu precisava dele. Assim, desse jeito confuso mesmo! 
Era como vício, não me fazia feliz, não me saciava por completo, mas eu precisava estar ali, com ele, para ele, entregue. Era um alívio estarmos juntos, como se só em seus braços a vida fizesse sentido. Não é amor, é doença – Era o que os outros diziam. Mas eu não me sentia doente. 
Sentia-me em êxtase, dentro da minha paz atormentada, no único lugar em que eu queria estar: junto dele! E com ele eu pisaria descalça no inferno, me mudaria para o outro lado do mundo, largaria tudo, deixaria o mundo, deixaria a mim! 
E foi durante muito tempo assim, essa explosão geral de sentimentos, com a agonia da espera, somada a intensa alegria da chegada, com o mortal sofrimento da briga. Não entendia o talvez ou o novo, ou outra coisa. Não me abria ao mundo porque meu mundo era ele. 
Minha paixão era repleta de extremos, complexos e imperfeitos, quase que impossíveis de serem explicados ou compreendidos, porque só quem ama com fervor da loucura sabe o que é que eu sentia.

Depois eu não sabia explicar o que veio!
Vieram os dias com suas rotinas, e vieram os anos com seu passar voraz. 
Veio a vida com suas linhas tortas e vi que nenhum desespero é eterno, nenhuma agonia que não cesse. 
Talvez fosse a idade, talvez a ansiedade, certo é que não há nada que o tempo não amenize e não cure. E a doença da paixão é dessas. Conforme o tempo passa, ela deixa de arder, de desesperar, e a tormenta dá lugar à uma coisa mais calma, mais sutil.
E numa outra forma o sentimento se mostra, numa roupagem mais discreta, porém mais terna e forte. O amor não é desses que te faz se jogar na frente de um trem por outra pessoa, mas sim daquele que te faz dar a vida, se preciso for, pela vida do seu amor. É um estranho desapego. Eu não preciso mais dele, estou aqui para uma troca justa, que a todo instante muda, mas mesmo assim permanece amor em sua essência.
O amor não aparece a todo momento, em cada hora do dia. Ele tem seus momentos, seus nuances, e se mostra forte e absoluto nas horas mais difíceis. Vence muros, barreiras, mares, vendavais... Se finge de morto, renasce em sorrisos, em cheiros e em lembranças. Se veste de branco, perdoa, segue adiante. O amor é desses que nos fazem pessoas melhores. O amor é desses que nos fazem criar arrependimentos quando fazemos algo errado.... é desses que cura doenças e move montanhas... é desses que se leva da vida e pelo qual vale a pena viver!

Amores e paixões não são escolhas!