sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Platônico

Um sorriso tímido,
a conversa despretensiosa,
o relar que é quase um toque,
mas que não se concretiza.  
Tão perto e tão longe,
é a sensação vazia que fica em cada tentativa de aproximação,
em cada respiração profunda e no tremer das mãos.
Assim por não saber o que dizer,
até onde ir,
na dúvida do que fazer.
Fugir do tudo ou nada,
só pelo prazer de se iludir.
Perto do toque e longe do sentir.
Chegando a imaginar que o melhor é nem tentar,
só pra continuar ali.
Se contentando com o muito que aquele pouco te dá,
querendo o mundo,
mas feliz só em olhar.
E é tanto querer guardado na angústia,
Tanto medo guardado nas palavras,
Tanto sentimento guardado na aparência sóbria
que o fechar dos olhos vira a porta da alma
La dentro da cabeça tudo acontece
As mãos dadas
O beijo apaixonado
O abraço caloroso
O amor
E só de olhar pra dentro o sentimento contamina
O coração acelera
E o mundo desconecta
O tempo para
O mundo deixa de girar
E só de ver, as pernas tremem
A terra balança
E o sorriso cresce largo mesmo sem querer
Cresce o nó na garganta
Que impede de dizer qualquer coisa
E vem a troca de olhares
Mas o tempo é muito curto
E ai passam as horas
Os dias
A oportunidade
E o tempo acaba
O nó é engolido
O batimento desacelera
E fica a tristeza de não saber o que será
A alegria fica só na fantasia

Então o jeito é voltar a sonhar.

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