De todas coisas que se passam dentro de mim, tenho
tentado filtrar apenas as que me fazem bem.
Guardar a sensação da brisa no rosto, do sorriso recebido
e da boa notícia.
A tormenta já não cabe em mim. A culpa eu tenho amassado
e jogado fora.
O medo já me impediu de tantas coisas que eu prefiro guarda-lo
no armário, junto com os vestidos de festas. Eles só servem para serem usados
de vez em quando. A vida exige mais versatilidade perante a rotina, e por isso
não me prendo a saltos e receios.
Estou aberta ao que há de vir.
Na bagunça da minha mesa estão empilhados papéis em
branco, desenhos pela metade, promessas de trabalhos e projetos largados. E não
tenho mais a atenção que eu deveria. Mas mesmo assim, tenho me sentido bem.
Sei que preciso organizar minha mesa e minha mente, mas
por enquanto isso pode esperar. Só mais um gole e isso fica pra depois.
Eu tenho amanhã, eu tenho o final de semana, eu tenho a
segunda e eu tenho as férias.
E você, ansiedade, hoje não vai me pegar! Vou correr dos
teus abraços, porque você não sabe o que faz comigo. Você me tira do chão, me
cega e me sufoca. Hoje não. Hoje eu não te quero.
Hoje quero a esperança, quero a liberdade, quero a
alegria, mesmo que esteja só de passagem.
Não preciso explodir de felicidade, quero apenas
continuar bem. E acreditar no bem.
De tudo que tenho passado, eu fico com o aprendizado. E nessa eu me recrio, tiro onda e renasço.
Que venha um novo caminho, uma nova vida, em uma
nova forma de ver as coisas.
Pois isso é tudo que eu preciso.
Alma lavada, cheirando a banho, perfume suave de
primavera e um toque de frescor...
Mais uma dose de vida, por favor!

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