quinta-feira, 15 de julho de 2010
Aonde ainda tem um pouco de mim...
Eu gosto muito de escrever, sempre gostei, na escola eu adorava aula de redação, com tema, sem tema, sobre qualquer coisa, minha mente sempre foi borbulhante, viajante. Na infância traumatizei irmã e amigas com histórias malucas pelas quais minhas bonecas e as delas passavam, uma loucura, seqüestros, amores impossíveis, mortes, damos risada disso até hoje. Na adolescência eu escrevia cartas de amor imensas, derradeiras, eu tinha uma amiga que consertava letras e acentos pra mim antes de passar a limpo, era idéia demais pra eu me concentrar no português também, mas era muito legal. Acho que o casamento acabou um pouco com o meu romantismo, mas não com a minha inspiração. Escrevendo eu me desligo do mundo, é uma forma de descarregar um pouco essa mente fértil que eu tenho. Eu penso demais, claro que uns 80% de abobrinha, nem sempre quantidade é qualidade, mas o “aproveitável” eu gosto de escrever. Também gosto de desenhar, pintar, modelar, sou praticamente uma criança na pré-escola, qualquer arte me distrai, me transporta. O dia a dia, as obrigações, as cobranças, o “mundo real” de uma forma geral me dispersa muito da minha essência. Eu sou mãe, comerciante, dona de casa, mulher responsável, sou tanta coisa que as vezes sinto falta de ser eu mesma, só um pouquinho, aquele tempinho meu, meus pensamentos e eu, numa paisagem qualquer, com trilha sonora bacana. Não estou reclamando da vida que tenho, de maneira alguma posso cuspir no prato que eu como, adoro minha vida, minha família e tudo o que tenho... Eu só acho que quando a gente se distancia muito de nós mesmos, a gente cria um vazio dentro da gente, aí fica uma pontinha esquisita, como uma saudade de algo que a gente nem sabe o que é. Você já se sentiu assim, como alguém que se afastou de si mesmo?
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